Ansiedade tem cura? O que é realista esperar

Ansiedade tem cura? O que é realista esperar

Rodrigo M Sobroza
Rodrigo M Sobroza Hipnoterapeuta Clínico · Método EIXO
7 min de leitura 116 leituras

Ninguém zera a ansiedade, e nem deveria. Mas o transtorno de ansiedade tem tratamento e muita gente melhora bastante. O que é realista esperar, e por que recaída não é fracasso.

"Ansiedade tem cura?" é uma pergunta muito comum. Quem pergunta, muitas vezes, está cansado e quer saber se um dia isso passa.

Duas respostas comuns não ajudam. Uma diz "aprenda a conviver com isso para sempre", e soa como uma sentença. A outra promete acabar com a ansiedade de uma vez por todas com algum método, e isso é propaganda. A resposta honesta fica no meio.

Em poucas palavras: ansiedade também é uma emoção normal e útil, e ninguém "zera". O que pode melhorar muito é o transtorno de ansiedade, quando o alarme dispara demais e atrapalha a vida. Existem tratamentos eficazes, e muita gente melhora a ponto de os sintomas quase não atrapalharem. Por isso este site não usa a palavra "cura": fala em melhora, e em ansiedade que deixa de comandar a sua vida.

Ansiedade tem cura?

Depende do que se chama de ansiedade. A emoção ansiedade não tem cura porque não é doença: é um alarme que todo mundo tem. O transtorno de ansiedade tem tratamento, e muita gente melhora bastante. Por isso, aqui, a palavra usada é melhora, não cura.

A Organização Mundial da Saúde faz a mesma separação. Todo mundo pode se sentir ansioso às vezes. No transtorno, o medo e a preocupação são intensos e exagerados, difíceis de controlar, e podem durar muito tempo se não forem tratados. A OMS também afirma que existem tratamentos eficazes e que quem tem sintomas deve procurar cuidado.[1]

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A ansiedade normal: um alarme que funciona

O frio na barriga antes de uma prova, de uma entrevista de emprego ou de abrir o resultado de um exame é o corpo se preparando. O coração acelera, a atenção aumenta, e isso ajuda você a agir. Sem nenhuma ansiedade, ninguém revisaria a prova nem olharia para os dois lados antes de atravessar a rua.

Por isso, a meta não é nunca mais sentir ansiedade. Tentar zerar a ansiedade pode virar uma vigilância cansativa, em que cada sinal do corpo passa a ser motivo de alarme. Esse ciclo está explicado no guia Ansiedade.

O que quer dizer melhorar de verdade

Nos estudos, a palavra usada não é cura, é remissão: quando os sintomas diminuem tanto que deixam de atrapalhar a vida. Nem os pesquisadores têm uma definição única para ela.[2]

Uma revisão de 100 estudos de TCC (terapia cognitivo-comportamental, uma terapia de conversa com exercícios práticos) para transtornos de ansiedade viu que uma parte importante das pessoas chegou à remissão. Muitas não chegaram, e os próprios autores concluem que a TCC ainda tem o que melhorar.[2] Por isso, desconfie de quem promete resultado.

Na vida real, melhorar se vê em coisas concretas: dormir melhor, voltar a fazer o que você evitava, crises mais raras, a preocupação que aparece e vai embora em vez de tomar o dia inteiro.

O sucesso não é "ter gostado da sessão". É a crise que não veio, a conversa difícil que finalmente aconteceu, o sono que voltou.
— Rodrigo M Sobroza, na página do Método EIXO

E se a ansiedade voltar?

Voltar não quer dizer que nada funcionou. A ansiedade pode voltar em épocas difíceis, como uma perda, uma mudança ou uma fase de muito estresse. Recaída (a volta dos sintomas) é sinal para retomar o cuidado, não prova de fracasso.

A pesquisa mostra os dois lados. Numa revisão pequena, de 17 estudos de TCC, a recaída depois da remissão aconteceu numa minoria das pessoas, embora o tema ainda seja pouco estudado.[3] Já um estudo de observação (que só acompanha as pessoas, sem testar um tratamento) seguiu adultos com transtornos de ansiedade por 12 anos e viu que, para muitos, o quadro durava ou voltava com o tempo, e que depressão e uso de álcool ou outras drogas junto dificultavam a melhora.[4]

Com remédio, vale um cuidado a mais. Entre pessoas que tinham melhorado com antidepressivo, quem passou a tomar placebo (comprimido sem efeito) no lugar do remédio teve mais recaídas do que quem continuou, no período estudado, de até um ano.[5] Por isso, nunca pare um remédio por conta própria: qualquer mudança é só com o médico que receitou.

O que ajuda a melhora a se manter

  • continuar o que funcionou, mesmo depois que a ansiedade baixou;
  • cuidar do sono, do corpo e do consumo de álcool;
  • perceber cedo os sinais de que a ansiedade está subindo, e pedir ajuda sem esperar a crise;
  • tratar junto o que vem com ela, como tristeza profunda ou uso de álcool para aguentar;
  • voltar ao profissional sem vergonha, se for preciso.
De nada adianta a transformação na sessão se ela não se sustenta na segunda-feira de manhã.
— Rodrigo M Sobroza, na página do Método EIXO

Onde a hipnoterapia pode entrar

Uma meta-análise (estudo que junta vários estudos) que reuniu 15 estudos encontrou redução maior de ansiedade com hipnose do que nos grupos de comparação, e um efeito maior quando ela foi combinada com outras terapias psicológicas.[6] Esses estudos tratam da hipnose em geral, não do Método EIXO, e não valem como promessa para ninguém.

A hipnoterapia é complementar e não substitui médico, psiquiatra ou psicólogo. Rodrigo M Sobroza é hipnoterapeuta, não é médico nem psicólogo, e não promete prazo nem número de sessões. Mais em Quantas sessões são necessárias? e na página hipnoterapia para ansiedade.

Quando procurar médico ou psicólogo

  • Sintoma novo no corpo, sem explicação: médico clínico primeiro.
  • Ansiedade que atrapalha o trabalho, o sono ou a vida em casa há semanas: médico ou psicólogo.
  • Tristeza profunda, sem vontade de nada, ou uso de álcool para aguentar: médico ou psiquiatra.

Se você está pensando em tirar a própria vida, ligue para o CVV, no 188 (ligação gratuita, 24 horas), ou para o SAMU, no 192, ou vá à emergência mais próxima. Dor no peito ou falta de ar forte também são caso de emergência. Na dúvida entre ansiedade e coração, não espere: vá à emergência. Depois, com calma, leia Estou tendo um infarto ou é pânico?

Fontes

  1. Organização Mundial da Saúde. Anxiety disorders (ficha informativa). who.int
  2. Springer KS, Levy HC, Tolin DF. Remission in CBT for adult anxiety disorders: a meta-analysis. Clinical Psychology Review, 2018. doi:10.1016/j.cpr.2018.03.002
  3. Levy HC, O'Bryan EM, Tolin DF. A meta-analysis of relapse rates in cognitive-behavioral therapy for anxiety disorders. Journal of Anxiety Disorders, 2021. doi:10.1016/j.janxdis.2021.102407
  4. Bruce SE, Yonkers KA, Otto MW, et al. Influence of psychiatric comorbidity on recovery and recurrence in generalized anxiety disorder, social phobia, and panic disorder: a 12-year prospective study. American Journal of Psychiatry, 2005. doi:10.1176/appi.ajp.162.6.1179
  5. Batelaan NM, Bosman RC, Muntingh A, Scholten WD, Huijbregts KM, van Balkom AJLM. Risk of relapse after antidepressant discontinuation in anxiety disorders, obsessive-compulsive disorder, and post-traumatic stress disorder: systematic review and meta-analysis of relapse prevention trials. BMJ, 2017. doi:10.1136/bmj.j3927
  6. Valentine KE, Milling LS, Clark LJ, Moriarty CL. The efficacy of hypnosis as a treatment for anxiety: a meta-analysis. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 2019. doi:10.1080/00207144.2019.1613863

Para entender a ansiedade por inteiro (o que é, como aparece no corpo, o que a mantém e quem procurar), leia o guia Ansiedade. As dúvidas sobre hipnose estão em Hipnose: as perguntas reais. E se você quer saber se dá para tratar a ansiedade sem remédio, veja Ansiedade sem remédio: quando é possível.

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Rodrigo M Sobroza, autor do artigo
Escrito por Rodrigo M Sobroza

Hipnoterapeuta e criador do Método EIXO. Formação em hipnoterapia pelo Instituto Versate desde 2021, com certificação Certified Hypnotherapist pela Neuroscience International Academy (EUA). Atende no consultório do Centro de Nova Iguaçu (RJ) e online. Não é médico nem psicólogo; a hipnoterapia é complementar. Ver formação completa.

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