Ansiedade sem remédio: quando é possível e o que considerar

Ansiedade sem remédio: quando é possível e o que considerar

Rodrigo M Sobroza
Rodrigo M Sobroza Hipnoterapeuta Clínico · Método EIXO
8 min de leitura 264 leituras

Algumas pessoas tratam a ansiedade sem remédio; outras precisam dele. O que as diretrizes dizem, quem decide, por que não parar o remédio sozinho e onde a hipnoterapia pode entrar.

"Quero tratar minha ansiedade sem remédio." É um pedido comum, e os motivos costumam ser legítimos: medo de efeito colateral, medo de depender, a sensação de que o remédio só "abafa" o problema. A pergunta merece uma resposta honesta, sem propaganda para nenhum dos lados.

Em poucas palavras: algumas pessoas tratam a ansiedade sem remédio, com psicoterapia e mudanças na rotina. Outras precisam dele, pelo menos por um tempo. Essa decisão se toma com um médico, olhando para o seu caso. E quem já toma remédio nunca deve parar por conta própria.

Dá para tratar ansiedade sem remédio?

Para algumas pessoas, sim. As diretrizes de saúde colocam a psicoterapia entre as primeiras opções para tratar a ansiedade. Mas há casos em que o remédio faz falta, e não existe regra que sirva para todo mundo: quem ajuda a decidir é o médico, junto com você.

O NICE, órgão que faz as diretrizes (guias oficiais de tratamento) de saúde do Reino Unido, organiza o cuidado em degraus. Nos casos mais leves de ansiedade generalizada (preocupação constante com quase tudo), o começo é informação, acompanhamento e autoajuda guiada, sem remédio. Quando a ansiedade atrapalha bastante a vida, a diretriz orienta oferecer terapia psicológica individual ou remédio, e escolher conforme a preferência da pessoa, porque não há evidência de que um dos dois seja melhor. Na síndrome do pânico, terapia, remédio e autoajuda mostraram efeito, e a escolha é feita em conjunto.[1]

A Organização Mundial da Saúde vai na mesma linha. As terapias psicológicas são tratamento essencial para os transtornos de ansiedade, e as que têm mais pesquisa seguem a TCC (terapia cognitivo-comportamental, uma terapia de conversa com exercícios práticos). A OMS também diz que antidepressivos podem ser úteis para adultos, e que a escolha deve levar em conta os efeitos colaterais e a preferência da pessoa.[2]

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Quando pesquisadores colocaram terapia e antidepressivo frente a frente, em depressão e ansiedade, uma meta-análise (estudo que junta vários estudos) com 67 estudos que compararam os dois diretamente não encontrou diferença geral entre eles.[3] Ou seja: remédio não é fraqueza, e terapia não é enrolação. São caminhos diferentes, que às vezes andam juntos.

Quando o remédio costuma entrar na conversa

Só um médico pode avaliar se você precisa de remédio. Mas vale procurar um clínico geral ou um psiquiatra, sem adiar, se:

  • a ansiedade atrapalha o trabalho, o sono ou a vida em casa há semanas;
  • as crises são fortes e frequentes;
  • junto com a ansiedade vem uma tristeza profunda, sem vontade de nada;
  • você tem usado álcool, calmante sem receita ou outras substâncias para aguentar o dia;
  • você já fez terapia e a ansiedade não melhorou.

O último ponto também está na diretriz do NICE: quando a ansiedade generalizada não melhora com um ciclo completo de terapia, o passo seguinte é oferecer remédio.[1] Precisar de remédio não é fracasso nem falta de força de vontade. É usar o recurso certo para o momento.

Posso parar o remédio se começar terapia ou hipnoterapia?

Não por conta própria. Qualquer mudança no remédio, inclusive parar, é decidida com o médico que receitou. Começar terapia ou hipnoterapia não é motivo para mexer na receita sozinho.

Há duas razões concretas. A primeira: parar um antidepressivo de repente pode causar sintomas de retirada (mal-estar ao interromper o remédio), como tontura, enjoo, dor de cabeça, suor, ansiedade e sono ruim. Por isso, quando chega a hora de parar, a dose é reduzida aos poucos, com acompanhamento.[1]

A segunda: uma revisão de 28 estudos com pessoas com transtorno de ansiedade que tinham melhorado com antidepressivo viu que quem passou a tomar placebo (comprimido sem efeito) no lugar do remédio teve mais recaídas (volta dos sintomas) do que quem continuou, no período estudado, de até um ano. Os autores concluem que a decisão deve pesar o risco de recaída, os efeitos colaterais e a preferência da pessoa.[4]

Se o remédio incomoda, leve isso ao médico. Efeito colateral, medo de depender, vontade de reduzir: tudo isso é conversa legítima de consultório, e ele pode ajustar, trocar ou planejar uma redução segura. Conte também que você está fazendo terapia ou hipnoterapia.

O que ajuda, com ou sem remédio

Algumas coisas somam em qualquer caminho:

  • Psicoterapia, em especial a baseada na TCC, que inclui aprender a enfrentar os próprios medos.[2]
  • Atividade física. Uma revisão ampla encontrou redução de sintomas de ansiedade com atividade física em adultos, com e sem diagnóstico, embora a maioria das revisões reunidas tivesse qualidade muito baixa.[5]
  • Sono e alimentação em horários regulares, e menos álcool. A OMS lembra que álcool e drogas podem piorar a ansiedade.[2]
  • Técnicas de relaxamento, como respiração lenta e relaxamento dos músculos.[2]

Esses hábitos não são um "tratamento natural" que dispensa ajuda profissional. Para a OMS, eles apoiam o tratamento.[2]

Onde a hipnoterapia pode entrar, e os limites

Uma meta-análise que reuniu 15 estudos encontrou redução maior de ansiedade em quem recebeu hipnose do que nos grupos de comparação. O efeito foi maior quando a hipnose foi combinada com outras terapias psicológicas do que quando foi usada sozinha.[6] Esses estudos tratam da hipnose em geral, não do Método EIXO, e não querem dizer que ela funcione para todo mundo.

Há quem já tenha entendido de onde vem a própria ansiedade e, mesmo assim, continue reagindo igual. Entender é importante, mas nem sempre basta.

O insight não desativa o alarme.
— Rodrigo M Sobroza, na página do Método EIXO

Os limites, sem rodeio:

  • a hipnoterapia é complementar e não substitui médico, psiquiatra ou psicólogo;
  • hipnoterapeuta não faz diagnóstico, não receita e não tira remédio;
  • ninguém sério promete prazo nem número de sessões;
  • a resposta varia de pessoa para pessoa.

Rodrigo M Sobroza é hipnoterapeuta, não é médico nem psicólogo. Na primeira conversa, conte quais remédios você usa e quem acompanha você: a hipnoterapia não pede que você mude nada no seu tratamento. Em situações de risco, como crise aguda ou pensamentos de tirar a própria vida, ele encaminha a pessoa ao médico. Mais em Posso fazer hipnoterapia tomando remédio? e Hipnoterapia substitui psicólogo ou psiquiatra?

Quando procurar ajuda agora

Se você está pensando em tirar a própria vida, ligue para o CVV, no 188 (ligação gratuita, 24 horas), ou para o SAMU, no 192, ou vá à emergência mais próxima. Dor no peito, falta de ar forte ou desmaio também são caso de emergência. Na dúvida entre crise de ansiedade e problema no coração, não espere: vá à emergência. Para entender a diferença com calma, depois, leia Estou tendo um infarto ou é pânico?

Fontes

  1. NICE (Reino Unido). Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management (CG113), recomendações das partes 1.2 (ansiedade generalizada) e 1.3 (pânico). nice.org.uk/guidance/cg113
  2. Organização Mundial da Saúde. Anxiety disorders (ficha informativa). who.int
  3. Cuijpers P, Sijbrandij M, Koole SL, Andersson G, Beekman AT, Reynolds CF. The efficacy of psychotherapy and pharmacotherapy in treating depressive and anxiety disorders: a meta-analysis of direct comparisons. World Psychiatry, 2013. doi:10.1002/wps.20038
  4. Batelaan NM, Bosman RC, Muntingh A, Scholten WD, Huijbregts KM, van Balkom AJLM. Risk of relapse after antidepressant discontinuation in anxiety disorders, obsessive-compulsive disorder, and post-traumatic stress disorder: systematic review and meta-analysis of relapse prevention trials. BMJ, 2017. doi:10.1136/bmj.j3927
  5. Singh B, Olds T, Curtis R, et al. Effectiveness of physical activity interventions for improving depression, anxiety and distress: an overview of systematic reviews. British Journal of Sports Medicine, 2023. doi:10.1136/bjsports-2022-106195
  6. Valentine KE, Milling LS, Clark LJ, Moriarty CL. The efficacy of hypnosis as a treatment for anxiety: a meta-analysis. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 2019. doi:10.1080/00207144.2019.1613863

Para entender a ansiedade por inteiro (o que é, como aparece no corpo, o que a mantém e quem procurar), leia o guia Ansiedade. As dúvidas sobre hipnose estão em Hipnose: as perguntas reais. E se a sua pergunta é se a ansiedade um dia passa, veja Ansiedade tem cura?

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Rodrigo M Sobroza, autor do artigo
Escrito por Rodrigo M Sobroza

Hipnoterapeuta e criador do Método EIXO. Formação em hipnoterapia pelo Instituto Versate desde 2021, com certificação Certified Hypnotherapist pela Neuroscience International Academy (EUA). Atende no consultório do Centro de Nova Iguaçu (RJ) e online. Não é médico nem psicólogo; a hipnoterapia é complementar. Ver formação completa.

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